Biografia Reynaldo Massi


 

Nasceu aos 5 de junho de 1919 na cidade de Orlândia Estado de São Paulo, filho de Remo Massi, italiano, por nascimento, chegado ao Brasil em 1898 e da senhora Angelina Bordignon Massi, brasileira, também de Orlândia.

 Seus pais de origem modesta, sempre se dedicaram a agricultura, onde adquiriram grande experiência especialmente na produção e na comercialização do café.

Cursou o primário como interno em colégios religiosos; primeiro em Batatais e, depois em Franca SP, com os Irmãos Maristas. Concluiu o ginásio em Ribeirão Preto, em estabelecimento oficial. Já em 1935, em São Paulo capital, fez o colegial para Medicina, aquela que no seu entender seria sua vocação natural.

 Realizou os estudos sem dificuldades, tendo se destacado por possuir memória, inteligência e força de vontade.

 

 

 

Paralelamente às atividades escolares, gostava de ler, de caçar, de praticar esportes e de auxiliar o pai no trabalho, adquirindo desde menino o gosto pela agricultura e o habito pelo trabalho.

 Dificuldades financeiras, pela crise econômica de 1929, forçaram a transferência de sua família de Ribeirão Preto para Presidente Prudente, tendo seu pai estabelecido nesta cidade como comerciante de cereais no ramo de café. Nessa época, em São Paulo, conciliava os estudos com o trabalho, trabalho esse que era dirigido para a comercialização dos produtos comprados pelo pai em Presidente Prudente.

Aqueles anos foram marcados pela maior crise econômica do século a de 1929 que acabou profundamente toda estrutura social, política e econômica mundial, fabricas fecharam, o comercio faliu, as estruturas financeiras ruíram, as atividades agrícolas paralisaram, as cidades se esvaziaram e as escolas ficaram sem alunos.

 A partir de então, dedicou-se de corpo e alma ao trabalho. Tornou-se autodidata em matéria de econômico-financeiro e iniciou o caminho que o levaria a inúmeras realizações na área empresarial.

 Em 1936, o mundo todo ganhara um novo alento com a política de Franklin Delano Roosevelt, então Presidente dos USA. Graças aos estímulos criados por Roosevelt, o comercio ressurge através da política internacional de trocas comerciais.

 Entretanto, a situação da família se agravava cada vez mais. Chamado pelo pai para ajudá-lo em Presidente Prudente, abandonou os estudos para dedicar-se exclusivamente ao trabalho.

Em 1944, casou-se com Lydia Calabretta Massi, com quem  formou um lar, enriquecido pelo nascimento dos filhos Ângela Cristina, Reinaldo Júnior, Lídia Regina, Sandra Maria e Lídia Cristian.

 Os primeiros anos do casamento foram marcados por muitas dificuldades. Em 1945, mudou-se para Londrina no Paraná, estabelecendo-se como comerciante de produtos agrícolas. No ano seguinte desligou-se dos negócios com o pai, passando a trabalhar por conta própria.

 Residindo em Rolândia, projetou e construiu sua primeira máquina de benefício de café. Graças aos estímulos gerados pela política internacional de trocas comerciais, o mercado do café apresentava amplas perspectivas de reação. Aos poucos, foi deixado de trabalhar com os diversos cereais para se especializar somente com a comercialização do café.

 Acreditando no potencial do norte do Paraná, logo estendeu os negócios para outras cidades e o sucesso obtido inicialmente em Rolândia, repetiu-se em Arapongas, Mandaguari, Marialva, Maringá, Mandaguaçu, Nova Esperança, Diamante do Norte e Terra Rica.

 Na década de 50 passou a residir em São Paulo capital. A partir dessa época, foi estendendo suas atividades empresariais também a outros centros, tais como Paranaguá, Santos, Curitiba, Presidente Prudente e para o sul de Mato Grosso.

 Durante o período de 1950 e 1974, o seu espírito empreendedor se fez presente em vários negócios, seja como idealizador, seja como incentivador ou como participante ativo, entre os quais: transportes (TRANSBRÁS S/A – Cia de Transportes); Armazéns gerais (Companhia de Armazéns Gerais do Norte do Paraná); Construção Civil, Hotelaria (MAPI S/A – Hotéis e Turismo); Cerâmica,  Serraria, Energia Elétrica (Comercial e Agrícola Diamante do Norte Ltda. e Comercial e Agrícola Piravevê Ltda.); Café (Brasilândia Comercia e Agrícola S/A e Reynaldo Massi S/A); Colonização e Agroindústria (SOMECO S/A - Sociedade de Melhoramentos e Colonização e Agropastoril Ivinhema Ltda.); além de Bancos e Cooperativas.

Destacou-se como agricultor, dedicando-se ao coletivo, experimentação a introdução de vários produtos agrícolas e à prática de pecuária do Norte do Paraná e no Sul de Mato Grosso, sempre procurando imprimir a tais atividades uma dinâmica empresarial, através da adoção de métodos de trabalho e técnica racionais atuais.

 Pelo muito que realizou, recebeu o título honorífico de “Cidadão Honorífico de Rolândia (Lei Municipal 33/57) o de “Cidadão Ivinhemense” (Lei 54/69) e, “Cidadão de Diamante do Norte), além de outras menções que refletem a sua dedicação cívica.

Dotado de todas as qualidades de um verdadeiro líder, levou suas organizações a uma expansão sólida do ponto de vista econômico. Sempre depositou confiança nos homens que trabalharam ao seu lado e sempre deu muita importância ao elemento humano dentro de suas organizações.

 O que, entretanto, mais marcou sua existência, o que o distinguiu como ser humano digno da admiração e respeito dos cidadãos, foi seu espírito pioneiro e desbravador, sua coragem e tenacidade para enfrentar rudeza das regiões inexploradas de nossa terra em busca de sua transformação em verdadeiros polos de desenvolvimento social e econômico. Na perseguição desses objetivos, seus descortinos o levaram a projetar seus empreendimentos sempre voltados para aquilo que no futuro seriam as exigências da comunidade, do bem comum e da pátria. Se soube colher o que plantou, igualmente semeou para as gerações do amanhã.

O trabalho de povoamento da colonização que executou na região de Ivinhema, praticamente inacessível naquela época em que para lá se dirigiu, desenvolve-se com rapidez e eficiência segundo uma metodologia que mais tarde veio a ser incorporada nas normas jurídicas que disciplinaram a reforma agraria brasileira. Valendo se dos conhecimentos obtidos na “abertura” do norte do Paraná, Reynaldo Massi realizou em Mato Grosso uma experiência de reforma agrária de raro sucesso, como nem mesmo hoje o próprio Poder Público conseguiu alcançar.

 Na história da colonização moderna e reforma agrária do Brasil o nome do Reynaldo Massi não pode ser dissociado.

 Reynaldo Massi era um idealista inteligente e perspicaz, trabalhador, que levou a sério sua vida de cristão, gerando muitos empregos com a criação da SOMECO. Era exigente com a equipe que organizou para a construção de Ivinhema; sempre exigiu trabalho bem feito e bem acabado, caprichando nos detalhes, digno de levar a esperança no crescimento do Brasil.

 Reynaldo Massi queria fazer o bem a todos; até na hora de sua morte; recém operado do coração e percebendo um incêndio que se alastrava, à noite em Diamante do Norte, ele não teve dúvida... Subiu numa escada e, com baldes de água tentava apagar o fogo, quando um de seus funcionários gritou: não abuse seu Reynaldo, o senhor passou por uma séria cirurgia, dessa logo dessa escada. Ele desceu, foi para casa e começou a passar mal. Ao lado de sua cama estava o livro de orações (Imitação de Cristo) e ele se pôs a rezar. Poucos minutos depois faleceu, com 55 anos de idade, era 17 de setembro de 1974, na cidade de Diamante do Norte no Paraná. Deixando a todos um exemplo de vida com muita fé, trabalho e otimismo cristão.  O Brasil perdia, então sem dúvida um grande homem, homem que acima de tudo acreditou na capacidade de realização do povo brasileiro e na inevitável realidade do Brasil de se tornar uma grande potência mundial.

 

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